Alimentação para os idosos

Hábitos alimentares têm impacto no envelhecimento. Entenda quais e as necessidades nutricionais mais comuns na velhice.

Marcas de expressão, rugas, cabelos brancos são sinais comuns e visíveis do envelhecimento humano. Mas se pudéssemos enxergar a olho nu todos os efeitos do passar dos anos em nosso organismo veríamos alterações fisiológicas ainda mais relevantes da velhice: como a redução das funções do estômago, intestino, fígado e pâncreas.

Ao envelhecer nosso aparelho digestivo, por exemplo, sofre alterações que acarretam na menor absorção de micronutrientes, como o cálcio, ferro e vitaminas do complexo B e, consequentemente, no desenvolvimento de quadros de osteoporose e anemia perniciosa.

Além disso, o “envelhecimento também afeta o esvaziamento gástrico e torna a digestão mais lenta, favorecendo menor motilidade no intestino grosso e cólon”, explica a nutricionista da Cora Residencial Sênior, Larissa Andrade. As mesmas alterações na motilidade contribuem para a constipação, frequente entre idosos e relacionada também com a baixa ingestão de líquidos e fibras. Problemas que nem sempre a família ou instituições menos cuidadosas, como asilos, estão preparados para enfrentar.

Hidratação na velhice

A importância de manter o organismo hidratado é consenso. Mas qual a real relevância na terceira idade? “Extrema”, resume a nutricionista da Cora. “No idoso a desidratação tona-se frequente, podendo desencadear outras doenças”.

Só isso já justificaria uma atenção maior. No entanto, outro fator no envelhecimento do nosso organismo é a alteração na sensação de sede – os receptores cerebrais identificam menos a necessidade de hidratação.

“A menor ingestão de líquidos pode ainda ser decorrente de alguma debilidade física, pois neste caso, existe certa dependência de outras pessoas”, afirma Larissa. O quadro é agravado pelo uso de medicamentos diuréticos e laxativos. “O que pode levar a quadros de desidratação, muito comum entre as principais causas de internação de idosos. “ Recomenda-se, dessa forma, a ingestão de 1 litro e meio a 2 litros por dia.

Atenção especial também nos alimentos sólidos?

Nem todo idoso precisa de uma dieta especial, mas todos necessitam ser bem assistidos pelo médico e/ou nutricionista para que a dieta seja adaptada às suas necessidades.

Existem algumas formas para identificá-las, como a avaliação nutricional, exames de sangue, exames clínicos (onde são observados os olhos, cabelos, pele), questionários de hábitos alimentares e exames antropométricos, que avaliam peso, estatura, dobras cutâneas, circunferências corporais. “Essas medidas, de forma isolada ou associadas, buscam determinar a composição corporal e o estado nutricional geral do idoso”.

Saúde começa pelo prato

Uma alimentação saudável e balanceada é fator de prevenção contra, por exemplo, hipertensão arterial, diabetes melitus e obesidade. Dessa forma, envelhecer bem também está diretamente relacionado ao seu prato – ou melhor, aos seus hábitos alimentares.

“Ter e manter hábitos saudáveis faz com que a rotina e, principalmente, a velhice transcorram com mais tranquilidade”, afirma Larissa. “Uma dieta adequada é aquela que oferece todos os grupos de alimentos, carboidratos, proteína, gorduras, vitaminas e minerais distribuídos em cinco a seis refeições por dia. Tudo isso com a ingestão adequada de líquidos e que forneça prazer e qualidade ao indivíduo”.

Quais são os principais nutrientes para manter um idoso saudável?

• Cálcio: importante na prevenção de ostopenia e osteoporose. Encontrado no leite, derivados e vegetais de folhas verdes escuras;
• Selênio: responsável por minimizar os danos causados pela produção de radicais livres. São fontes as castanhas, nozes e sementes;
• Ferro: mineral importante para as funções do processo respiratório e transporte de oxigênio, sua deficiência pode causar anemia. Principais fontes alimentares são: carne vermelha magra, gema do ovo, fígado e miúdos
• Vitamina C e Zinco: auxiliam na cicatrização da pele e melhora do sistema imunológico. A vitamina C né encontrada nas frutas cítricas, como laranja, limão, abacaxi e acerola. E o Zinco na carne vermelha, peixe e leite;
• Vitamina A: desempenha papel importante na visão, crescimento e desenvolvimento ósseo. Encontrada em alimentos como leite, ovos e frutas;
• Vitamina D: importante no metabolismo do cálcio. Deficiência em idosos decorrente, principalmente, pela diminuição da exposição ao sol e ingestão insuficiente de alimentos como: ovo, fígado, manteiga;
• Vitamina B12: essencial para o funcionamento adequado das células do organismo, especialmente as do trato gastrointestinal, tecido nervoso e medula óssea. Atua também no metabolismo de carboidratos, lipídeos e proteínas.

Cuidados no preparo dos alimentos para idosos

Não é frescura: cozinhar para idosos exige cuidado redobrado. Primeiro para identificar necessidades nutricionais especiais. Segundo, pela higienização. “É muito importante durante o processo de preparo, armazenamento e conservação de alimentos a boa higiene, pois sua falta pode trazer algumas consequências sérias, como diarreias, vômitos, mal-estar, infecções e, em casos extremos, podem levar a morte. Portanto higienizar bem as mãos, os alimentos e utensílios podem contribuir na qualidade de vida do idoso”, ressalta a nutricionista da Cora.

Dez dicas para uma velhice saudável, segundo o Ministério da Saúde

1. Faça pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e dois lanches saudáveis por dia. Não pule as refeições!
2. Inclua diariamente seis porções do grupo dos cereais (arroz, milho, trigo, pães e massas); tubérculos, como a batata; raízes, como mandioca, macaxeira e aipim nas refeições. Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos naturais.
3. Coma diariamente pelo menos três porções de legumes e verduras como parte das refeições e três porções ou mais de frutas nas sobremesas e lanches.
4. Coma feijão com arroz todos os dias ou, pelo menos, cinco vezes por semana. Esse prato brasileiro é uma combinação completa de proteínas e bom para a saúde.
5. Consuma diariamente três porções de leite e derivados e uma porção de carnes, aves, peixes ou ovos. Retirar a gordura aparente das carnes e a pele das aves antes da preparação torna esses alimentos mais saudáveis.
6. Consuma, no máximo, uma porção por dia de óleos vegetais, azeite, manteiga ou margarina.
7. Evite refrigerantes e sucos industrializados, bolos, biscoitos doces e recheados, sobremesas doces e outras guloseimas como regra da alimentação. Você pode consumi-los, no máximo, duas vezes por semana.
8. Diminua a quantidade de sal na comida e retire o saleiro da mesa.
9. Beba pelo menos dois litros (6 a 8 copos) de água por dia. Dê preferência ao consumo de água nos intervalos das refeições.
10. Torne sua vida mais saudável. Pratique pelo menos 30 minutos de atividade física todos os dias e evite as bebidas alcoólicas e o fumo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *